segunda-feira, 24 de maio de 2010

Caminhei por muitos lugares, mais sempre voltei.

''Os mesmo pés cansados voltam pra você.'' Caminhei por tantos lugares, meus olhos viram tantas pessoas, minhas mãos sentiram tantas texturas, meu nariz sentiu tantos odores, meu corpo se chocou contra tantos corpos e mesmo assim ainda retorno para você. Eu notei diferenças entre humanos e seres de quatro patas mais também notei que não há tantas diferenças como pensamos. Eu deitei entre muitos lençóis e notei que nenhum tinha o mesmo cheiro,textura que o da sua cama. Eu beijei muitas bocas e também notei que nenhum tinha o mesmo gosto do seu. Eu viajei por tantas cidades, passei por tantas paisagens e hoje estou aqui em frente aquela velha casa que ainda tinha a mesma cor que eu escolhi e que pintamos juntos, a janela da qual eu tanto reclamei ainda encontra-se quebrada com um pedaço de papelão colado com fita adesiva que você pegou de uma criança que brincava de escolinha no meio da rua. A casinha do cachorro ainda está no meio do quintal... Talvez eu volte a implicar ''porque temos uma casinha de cachorro sendo que não temos cachorro?'' e talvez você ainda responda ''É sempre bom um lugar reserva, nunca sei bem qual o nivel da sua tpm.'' Enfim isso tudo é apenas talvez... A parte de trás da casa está com o mesmo gramado alto que talvez hoje em dia até me tampe o cortado de grama está jogado no mesmo lugar de sempre que você sempre deixava talvez você ainda corra no meio da chuva para tira-lo daquele temporal. A chave ainda encontra-se debaixo do tapete da porta da frente, aquele mesmo tapete que eu comprei naquela feirinha de ciganos que veio a cidade você implicou com o tal cigano que na verdade tinha um sotaque de estrangueiro que gritava em sua banca ''Que bonita gaiata.'' depois de um tempo descobrimos que gaiata era uma palavra do dicionário portugues, eu rir dizendo para você que iria enbora com o cigano-portugues e moraria numa linda casa em lisboa, você me disse ''a porta está aberta.'' E então eu rir e beijei seus lábios de uma forma doce e então sussurei em seu ouvido ''eu amo você.' Você sorriu e então selou meus lábios e em seguida me beijou de um jeito ardente, me deitou sobre o mesmo sofa que você dormiu muitas vezes depois de nossas brigas... Em pouco tempo estavamos ali, nús, nos amandos em baixos murmurios e gemidos de prazer, nossos corpos sempre tiveram tanta sintonia talvez aquele fosse o momento mais ''eterno'' que sempre tivemos, nós fomos muitas vezes apenas um,apenas um... As paredes daquela casa ainda tinha nossos rabiscos com as inicias dos nossos nomes e o futuro nome dos nossos filhos e logo em baixo de todos os rabiscos sempre tinha ''eternidade''. Você deveria está dentro daquela casa,dormindo naquela cama que era nossa, algo me dizia que debaixo da cama existia algum prato com resto de comida e na cabeceira da cama tinha no máximo 6 a 8 latinhos de coca-coca ou ceverja e do outro lado um cinzeiro com um masso de cigarro ao lado eu sempre te pedir para não fumar pois não queria ver você morrendo antes de mim mais você dizia que nada nós separaria mais eu continuava reclamando quando você me beijava meus lábios com aquele gosto de cigarro na boca mais isso já tinha virado rótina entre mim e você. Por cima da porta ainda tinha aquela plaquinha que escrevemos eu e você sobre ela existia uma teia de aranha e a mesma ainda estava lá construindo sua ''casa'' tão cuidadosa com cada detalhe sua paciência era algo invejado por mim. Você sabe bem eu nunca fui a pessoa mais ''paciente'' do mundo tudo era ou 8 ou 80 e talvez por isso eu tenha saido de onde estou agora. Estou aqui parada em frente a mesma casa que eu ajudei a pintar, de onde eu participei de cada história ou momento engraçado vivido a dois, aquela casa que tinha o vidro da janela quebrado em algum momento de alguma briguinha sem fundamento mais eu que mesma fiquei da porta olhando você pedindo aquela pobre criança a fita adesiva emprestada. Eu também fiquei olhando enquanto você colocava o papelão sobre o pequeno buraco da janela e eu falava que era melhor trocar logo de uma vez o vidro em caso de algum ladrão aparece mais você me dizia que seu maior tesouro era eu e que nada me roubaria de você e que na proxima semana você mudaria o vidro... Mais você não trocou o vidro tava ali da mesma forma em que você colocou naquela tarde. Tocar a campainha me parecia tão estranho sendo que eu também era dona daquele lugar, mais eu o fiz, toquei a campainha com meu rosto abaixado olhando para o chão, eu esperava um ''não''. Mais eu ouvir o mesmo barulho que ouvia toda vez que você esquecia a chave e me tirava da cama para abrir a porta, logo em seguida eu sentir a sua mão tocando meu queixo e levantando meu rosto, sua face ainda era a mesma de sempre e em seu rosto existia um pequeno sorriso e seus lábios ser moveram dizendo apenas ''eu sabia que voltaria''.

1 comentários:

Mayara Queirós disse...

*-----* Lindo Lindo Perfeito! Amei

Postar um comentário